BAZAAR selecionou 8 marcas que você ainda não viu, mas que merecem sua atenção no Verão 2026 de Alta-Costura. Foto: Reprodução
Quando chega a temporada de alta-costura, os olhos se voltam para as grandes casas de moda, que encantam pelo trabalho minucioso. Porém, além das tradicionais e midiáticas maisons, outros nomes também compõem a cena de beleza, precisão e luxo.
A francesa Julie de Libran, conhecida por um trabalho atento ao acabamento e às referências clássicas da moda parisiense, apresentou roupas pensadas para o uso real, mas executadas com técnicas de ateliê. Julie se inspirou no ambiente em que sua avó vivia, na Provença, para compor a coleção. Trouxe ainda toques de Van Gogh, criando uma leitura de requinte e simplicidade.
Ainda não tão distante da Europa, Ronald van der Kemp, designer holandês que tem o upcycling como forma de expressão, apresentou seu olhar kitsch característico, presente desde sua estreia no calendário oficial, em 2015. A diferença em seu trabalho com o reuso de matéria-prima está na capacidade de dar novo destino a tecidos raros e históricos, além do desenvolvimento de novas técnicas de patchwork, sem cair no caricato ou no datado.
Diretamente do Líbano, Elie Saab, maestro dos vestidos de festa, trouxe uma coleção praticamente dourada, ele dá continuidade à sua ode ao glamour clássico, com cinturas marcadas, corpos alongados e a recorrência de aplicações de bordados, parte intrínseca de seu DNA.
O destaque vai também para dois indianos que se tornaram assunto nas rodas de conversa de moda no Twitter. Rahul Mishra, que ganhou projeção mundial pelo trabalho artesanal desenvolvido com uma rede de artesãos em seu país natal, apresentou “Alquimia”, uma homenagem ao Big Bang e aos quatro elementos da natureza. Vestidos curtos, com bordados e transparências em evidência, criaram efeitos de trompe-l’oeil que fazem as roupas se confundirem com obras de arte.
Além dele, Gaurav Gupta, que parece viver em um futuro totalmente luxuoso e opulento, criou o look tecnológico da temporada: uma placa de luz que faz a modelo, dentro de um vestido volumoso, parecer um ser luminoso, quase um anjo. Com isso, suas outras criações, cheios de drapeados estruturados e silhuetas exageradas, acabaram ficando ofuscados, mas não menos admirados.
1 / 10BAZAAR selecionou 8 marcas que você ainda não viu, mas que merecem sua atenção no Verão 2026 de Alta-Costura. Foto: Reprodução
2 / 10Ronald Van Der Kemp, Verão 2026 de Alta-Costura. Foto: Reprodução
3 / 10Elie Saab Verão 2026 de Alta-Costura. Foto: Reprodução
4 / 10Rahul ishra Verão 2026 de Alta-Costura. Foto: Reprodução
5 / 10Rahul Mishra, Verão 2026. Foto: Reprodução
6 / 10Garav Guopta, Verão 2026 de Alta-Costura. Foto: Reprodução
7 / 10Ashi Studio, Verão 2026 de Alta-Costura. Foto: Reprodução
8 / 10Rober Wun, Verão 2026 de Alta-Costura. Foto: Reprodução
9 / 10Germanier Verão 2026 de Alta-Costura. Foto: Reprodução
10 / 10Alexis Mabille Verão 2026 de Alta-Costura. Foto: Reprodução (Interligencia Artificial)
Fechando a lista do Oriente Médio, a Ashi Studio, maison fundada pelo saudita Mohammed Ashi e baseada em Paris. A marca ganhou atenção pela alta-costura de construção rigorosa, silhuetas escultóricas e acabamento de ateliê, com peças sob medida que aparecem em tapetes vermelhos e ensaios de moda. O foco aqui é sempre a silhueta, com proporções de ampulheta que se repetem em todos os manequins.
Favorito dos amantes do lado B da couture, Robert Wun nunca desaponta quando o assunto é construir imagens fortes na passarela. Desta vez, o designer honconguês dobrou a aposta e apresentou uma coleção em duas partes: a primeira, “Valor: o desejo de criar e a coragem de seguir em frente”; a segunda, “Luxo: confronto com a realidade”. Com um olhar fúnebre para a moda, ele recorreu a rascunhos antigos e a memórias de uma tempestade em Hong Kong para inspirar looks de impacto.
Impacto nem sempre vem acompanhado de polêmica, mas quando vem, o debate acende. Alexis Mabille trocou bainhas e retoques de maquiagem dos bastidores por prompts e referências para alimentar uma inteligência artificial generativa. Sim, ao que tudo indica, ele foi o primeiro designer do calendário oficial a apresentar imagens feitas com IA. O gesto dividiu opiniões: como uma marca que trouxe Dita Von Teese em sua última coleção de couture pretende “aperfeiçoar” a indústria da moda por meio da tecnologia ao mesmo tempo em que dispensa 80% das mãos que trabalham com ela, como se, no fim, só importasse a imagem final? Fica o questionamento.
Fechando o último dia, Germanier, marca do suíço Kevin Germanier, virou nome-chave quando o assunto é upcycling com impacto visual. Ele trabalha com materiais recuperados, miçangas, bordados e texturas de alto volume, numa linguagem que cruza festa, pop e artesanato técnico, e ganhou espaço rápido em colaborações e no circuito de moda autoral. Na coleção que encerra a temporada, fantasia e manualidade caminham juntas, com reinvenção constante, do jeito que a moda pede.
