Relembre os marcos do estilista na label entre 2021 e 2026. Foto: Reprodução
Nesta sexta-feira (30.01), Alaïa confirmou que Pieter Mulier vai deixar a direção criativa da casa depois da apresentação da coleção de verão 2026, marcada para a próxima edição da semana de moda de Paris, em março. Ainda não há sucessor confirmado, e o próximo passo do designer não foi informado.
Essa saída fecha um ciclo curioso porque, antes de virar assunto constante, a Alaïa passou anos funcionando como uma marca escondida à vista de todos, um segredo do universo da moda. Quando furava a bolha, era em lampejos. Tem como não lembrar de 1995, quando a marca aparece em “As Patricinhas de Beverly Hills”, com o vestido vermelho e a piada do “It’s an Alaïa” entrando no imaginário pop?
1 / 4Coleção de Verão 2026 da Alaia por Pieter Mulier. Foto: Reprodução
2 / 4Coleção de Verão 2026 da Alaia por Pieter Mulier. Foto: Reprodução
3 / 4Coleção de Verão 2026 da Alaia por Pieter Mulier. Foto: Reprodução
4 / 4Coleção de Verão 2026 da Alaia por Pieter Mulier. Foto: Reprodução
O contexto importa: depois da morte de Azzedine Alaïa, em 2017, a casa atravessou um período de transição até anunciar Mulier em 2021. Ele chegou com 16 anos de trajetória ao lado de Raf Simons e com formação em arquitetura, duas chaves que ajudam a entender por que a conversa dele com a herança da marca passou menos pela nostalgia e mais pela construção.
Um dos momentos que define essa era é o desfile de verão 2025 no Museu Solomon R. Guggenheim, em Nova York. Não foi um desfile “sobre” o museu, foi um jeito de deixar claro como ele pensa em forma e estrutura quando coloca a marca em cena num lugar que já tem uma arquitetura que impõe leitura.
O vestido que imita a fachada do museu Guggenhein. Foto: Reprodução
A outra mudança aconteceu fora da passarela, na rua. A Alaïa ampliou o mix para além das roupas e, nessa fase, alguns produtos viraram pontos de reconhecimento rápido, com as sapatilhas mesh La Ballerina, a bolsa Le Coeur e a Le Teckel puxando parte do desejo ao redor do nome. Isso ajudou a marca a aparecer fora do circuito de quem acompanha coleção por coleção, sem precisar mudar o que sustenta a casa.
A partir daí, caiu na boca do povo. Fora do Brasil, Miley Cyrus virou vitrine constante e o vídeo dela pronunciando “Alaïa” virou meme. Margot Robbie, Kate Hudson, Rihanna e Lucy Liu também entram na lista de amantes da marca. E, se alguém acha que no nosso País essa onda não chegou, basta olhar para Taís Araújo, Grazi Massafera, Giovanna Lancellotti, Jade Picon e Flávia Alessandra, fãs de carteirinha.
1 / 5Celebs que usaram Alaia by Pieter Mulier. Foto: Reprodução
2 / 5Celebs que usaram Alaia by Pieter Mulier. Foto: Reprodução
3 / 5Celebs que usaram Alaia by Pieter Mulier. Foto: Reprodução
4 / 5Celebs que usaram Alaia by Pieter Mulier. Foto: Reprodução
5 / 5Celebs que usaram Alaia by Pieter Mulier. Foto: Reprodução
Por trás do barulho existe estratégia, e ela não começou com Mulier. A Alaïa está com a Richemont desde 2007, num modelo de crescimento mais controlado. O Business of Fashion registrou que, em 2017, dez anos após a aquisição, o grupo tinha aumentado o negócio em 400%, e a casa seguia sendo tratada como um ativo de desejo com escala medida. E agora, com a confirmação de que ele sai após março, a pergunta prática fica no ar: quem entra e que tipo de continuidade essa casa vai escolher manter.
