Foto: WWD
A temporada internacional marca uma transição histórica para a Maison Margiela: após dez anos sob John Galliano, Glenn Martens assume a direção criativa de uma das maisons mais cultuadas do mundo. Conhecido por sua habilidade em desconstruir códigos, reconstruir narrativas e fundir elegância com irreverência, o estilista belga é apontado como o nome capaz de escrever o próximo capítulo de uma casa que sempre viveu de transgressão.
Quem é Glenn Martens?
Nascido em Bruges, na Bélgica, Martens estudou na Royal Academy of Fine Arts de Antuérpia — a mesma escola de Martin Margiela. Seu talento foi notado já na coleção de graduação, quando Jean Paul Gaultier o convidou para integrar sua equipe. A consagração veio em 2013, quando assumiu a direção criativa da Y/Project, transformando a marca em culto global graças a seus recortes retorcidos, volumes arquitetônicos e humor inteligente. Em paralelo, Martens revitalizou a Diesel, transformando o jeans em objeto de desejo e consolidando a marca como uma das mais faladas da década. Também assinou a alta-costura como convidado da Jean Paul Gaultier, em 2022, provando sua versatilidade entre streetwear e couture.
Seu trabalho como diretor criativo na Diesel, o designer conseguiu algo raro: transformar o jeans — símbolo do ordinário — em objeto de desejo. Sob sua visão, a marca italiana se reposicionou como potência cultural, misturando sensualidade, humor ácido e estética pop, sem perder o DNA rebelde. Suas campanhas virais, desfiles espetaculares e a ousadia no design devolveram à Diesel relevância global, tornando-a novamente uma das casas mais comentadas e influentes da moda.
Foto: Reprodução/Instagram/@maisonmargiela
Por que Maison Margiela?
A escolha de Martens é simbólica: ele representa um elo direto com a herança belga de Martin Margiela e compartilha de seu espírito disruptivo. Sua linguagem, marcada pela experimentação, desconstrução e ironia, dialoga com os códigos de anonimato, teatralidade e vanguarda que sempre definiram a maison. Como afirmou Renzo Rosso, presidente do OTB Group: “Depois de Martin e Galliano, é um orgulho ver Glenn, um terceiro couturier, assumir o comando da Margiela. Ele já mostrou sua visão em todos os campos da moda — e agora é hora de levar a maison ao próximo patamar.”
Coleção de verão 2026 para a Diesel – Foto: Reprodução/Instagram/@glennmartens
Síntese de estilo
Martens construiu uma assinatura que mescla sofisticação gótica, volumes distorcidos e referências históricas com a energia do contemporâneo. Sua moda é marcada pelo deconstruct/reconstruct — roupas que parecem ter sido desmontadas e remontadas como objetos de arte. Ao mesmo tempo, explora silhuetas imponentes, teatralidade e um humor sombrio, capaz de transformar o banal em espetáculo.
O que esperar dessa nova fase?
Sua estreia na linha Artisanal (alta-costura) foi descrita como um mergulho em um universo gótico e alucinatório: vestidos espectrais em jersey e renda, corsets arquitetônicos que ecoavam Galliano, máscaras feitas de sucata e vestidos criados com materiais reaproveitados. Um terço da coleção foi produzido com upcycling, reafirmando tanto a herança desconstrutiva da maison quanto o compromisso com a sustentabilidade.
Martens reinterpreta a fragilidade e a decadência como formas de beleza, criando narrativas visuais que unem tradição e ruptura. A expectativa é que ele consolide a Margiela como a mais provocativa e relevante maison de sua geração — não apenas preservando o legado de Martin e Galliano, mas construindo um caminho que fala diretamente à sensibilidade da moda contemporânea.
