Notícia triste para os fãs da Coperni: Sébastien Meyer e Arnaud Vaillant, fundadores da marca, anunciaram, nesta quarta-feira (04.11), o encerramento das atividades da label. “Nos últimos meses, tentamos de tudo para preservar a Coperni e encontrar uma solução para o conflito com nossa acionista e distribuidora, a Tomorrow. Apesar de todos os nossos esforços, nenhuma solução foi encontrada”, afirmam em comunicado publicado nas redes sociais.
Em 2013, Meyer e Vaillant lançaram a Coperni Femme, cujo nome faz referência ao astrônomo Copérnico. O reconhecimento veio rápido: a marca ganhou o ANDAM em 2014 e foi finalista do Prêmio LVMH em 2015.
O sucesso gerou a oportunidade de a dupla assumir a direção criativa da Courrèges, em 2015, o que fez os designers pausarem a Coperni. A passagem durou dois anos e, depois da saída, a Coperni foi relançada em 2019. No que eles chamaram de “Coperni 2.0”, a marca voltou para o mercado com preços mais baixos e peças unissex. A parceria com a Tomorrow, que entrou como acionista, deu estrutura à label, incluindo uma fábrica italiana. A partir daí, a grife ganhou projeção até explodir nas redes em 2022, com o vestido em spray de Bella Hadid.
O fechamento não é uma surpresa para quem acompanhou o ano da Coperni. Em fevereiro, ao cancelar o desfile na semana de moda de Paris, os fundadores comunicaram que a relação com sua acionista tinha se deteriorado a ponto de a marca não conseguir mais sustentar seu desenvolvimento. Em março, a Tomorrow foi vendida para uma empresa de investimentos italiana e, em junho, a Coperni entrou em recuperação judicial.
“Obrigado por darem vida a esta marca, muito além do que nós dois poderíamos ter alcançado sozinhos. Temos orgulho do que construímos juntos e somos felizes por ter compartilhado esta história com vocês”, escrevem Meyer e Vaillant. Abaixo, relembre alguns momentos marcantes na história da marca:
O vestido em spray
Em setembro de 2022, Bella Hadid entrou na passarela para encerrar o desfile de verão 2023 da marca vestindo apenas lingerie nude. Neste momento, Manel Torres e sua equipe entraram na passarela para fazer o vestido da modelo na hora. Um líquido foi aplicado na modelo como uso de sprays e, quase na hora, o material criado por Torres se tornou uma peça vestível. A tecnologia é uma fibra líquida unida por polímeros, biopolímeros e solventes mais sustentáveis, que evapora quando o spray atinge a superfície.
Segundo seu criador, o fundador da Fabrican, o tecido tem toque de camurça e pode ser manipulado como qualquer outro, tanto que, Charlotte Raymond, chefe de design da Coperni, finalizou a peça ainda na passarela, ajustando o decote, retirando excessos de fibra e abrindo uma fenda na lateral. Por ter as medidas exatas de Bella, a peça não foi comercializada após o desfile.
A cena foi amplamente comparada com o desfile de verão 1999 de Alexander McQueen, em que robôs pintaram o vestido de Shalom Harlow, em uma cena eternizada no imaginário da moda. Mas Vaillant afirmou, na época, que o vestido não era uma homenagem a esse momento e, sim, uma cena completamente diferente.
Colegas de passarela
O vestido-spray não foi a primeira vez que a marca levou a tecnologia para a passarela. Em março de 2023, as modelos atravessaram a passarela de inverno 2023, no Thêatre National de la Danse, ao lado de robôs da Boston Dynamics. O conceito foi inspirado na fábula “O Lobo e o Cordeiro”, de Jean de La Fontaine, como uma reflexão de poder entre humanos e robôs. Com os ciborgues no papel de lobo e as modelos, de cordeiros, o objetivo da marca era falar sobre “domesticação mútua e coexistência” entre humanos e máquinas.
Além de fazerem poses de yoga, os robôs também interagiam com as modelos. Em um momento, a modelo Riane Van Rompaeye teve um casaco retirado do corpo por um dos Spots, como são chamadas as máquinas, revelando o vestido que usavam. Em outro, Lila Moss teve sua bolsa carregada por outro Spot.
Onde a magia se torna real
Na semana de moda de Paris do segundo semestre de 2024, a Coperni enganou seus clientes ao não aparecer no line-up oficial da temporada. De forma muito sagaz, a marca encerrou a PFW com um desfile que aconteceu no último dia, em um cenário inusitado: em frente ao Castelo da Bela Adormecida, na Disneyland Paris. Foi a primeira vez que o parque recebeu uma apresentação de moda e, para isso, ficou fechada para os visitantes e abrigou uma festa para cerca de 700 convidados.
Com uma coleção que celebrava juventude e nostalgia, as modelos desfilavam com vestidos de paetê e crinolinas em tons pastel, acompanhadas de luvas e tiaras. Kylie Jenner ficou encarregada de encerrar a apresentação, com um modelo inspirado na Malévola. O desfile também foi marcado por uma série de acessórios inusitados, incluindo uma versão da Swipe Bag em cristal e um modelo que ganhou orelhinhas do Mickey.
As Swipe Bags
Inspirada no design “slide to unlock”, do iPhone, a Swipe Bag foi lançada em 2019, com uma estrutura rígida que logo atraiu os clientes. Com o sucesso da peça, a Coperni passou a brincar com os materiais que poderiam ser usados para criá-la. O primeiro teste surgiu na passarela em 2022, feita em vidro soprado. Criada em parceria com o estúdio nova-iorquino Heven, a peça ganhou três versões: transparente, azulada (cerca de U$ 2.700, ou mais R$ 14 mil) e a cromada (U$ 2.950, cerca de R$ 16 mil).
A partir de então, a dupla fundadora da marca extrapolou todos os limites da imaginação. Em março de 2023, uma versão foi feita a partir de um fóssil lunar que “caiu na Terra há 55 mil anos, encontrado na França em 1968”. A peça tinha autenticidade certificada pela galeria Theatrum Mundi e o meteorito era escolhido a cada encomenda, por isso, nenhuma bolsa é igual à outra. Feitas à mão, foram vendidas por cerca de U$ 45 mil (mais de R$ 247 mil).
1 / 2Crystal Swipe – Foto: Reprodução/Instagram/@coperni
2 / 2CD-Player Swipe Bag – Foto: Reprodução/Instagram/@coperni
Inspirada por um Discman da Sony, o modelo apresentado na coleção de verão 2024 era impresso em 3D e vinha acompanhado por fones de ouvido. Já a versão apresentada no desfile na Disneyland, em Paris, foi inspirada no sapatinho da Cinderela e criada em parceria com a Swarovski. A peça tinha 171 facetas de cristal polido, pesava cerca de 1,7 kg e levou mais de 110 horas de trabalho.
Uma das mais tecnológicas – e leves – entre as criações é a Air Swipe. Desfilada com a coleção de inverno 2024, a peça é feita de aerogel de sílica, um nanomaterial que a NASA usa para capturar poeira estelar. Como o nome anuncia, a bolsa é composta por 99% de ar e 1% de vidro, por isso, pesa apenas 33 g. Desenvolvido com o pesquisador grego Ioannis Michaloudis, o modelo resiste a 1.200 °C e a uma pressão de 4 mil vezes o próprio peso.








