Desfile no centro de São Paulo, apresentou a segunda coleção do designer quilombola com bordados colaborativos e materiais naturais Foto: @agfotosite
No domingo, (14.12), Dih Morais desfilou no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, sua segunda coleção, “Do Quilombo ao Terreiro”. A apresentação traduziu em roupas e acessórios uma narrativa de pertencimento ligada a quilombo e terreiro, entendidos como território, memória e dimensão espiritual.
A coleção chega depois de um marco de 2025: Dih se tornou o primeiro estilista quilombola a desfilar em África. Esse movimento aparece como motor do trabalho: reconexão, descoberta, experimentação. E, principalmente, aquilombamento como prática real, de gente fazendo junto, de norte a sul.
1 / 4Desfile no centro de São Paulo, apresentou a segunda coleção do designer quilombola com bordados colaborativos e materiais naturais Foto: @agfotosite
2 / 4Desfile no centro de São Paulo, apresentou a segunda coleção do designer quilombola com bordados colaborativos e materiais naturais Foto: @agfotosite
3 / 4Dih Morais- Do quilombo ao terreiro- Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite
4 / 4Desfile no centro de São Paulo, apresentou a segunda coleção do designer quilombola com bordados colaborativos e materiais naturais Foto: @agfotosite
Na passarela, os orixás entram como presença de caminhada. Exu abre a fila com a lógica do caminho e com uma lembrança íntima do estilista: aos 18 anos, foi ele quem providenciou a instalação de energia elétrica na casa da avó, Mainha, ancestral viva já homenageada no desfile anterior. Ogum surge como ferro, estrada e força de abrir passagem. Omolu aparece ligado à ideia de riqueza, mas riqueza entendida como dignidade construída. No fim, Iemanjá fecha a sequência como gesto de cabeça erguida.
O processo de criação também é parte do que se vê. O artista baiano Jefferson Mendonça criou desenhos exclusivos de Ogum, Omolu e Exu, bordados à mão por Leila Cheuiche e aplicados em peças como quimono, chemise, capa e blazer. Dih dividiu a costura com Sofia Lins e trabalhou com as crocheteiras Irlanda Maria e Luana Freitas, além da mãe e da irmã, Sinha e Gabriele, entre outras mãos envolvidas.
Nos materiais, a lista tem ritmo de inventário afetivo: linho, algodão, palha da costa, búzios, palha de buriti, cipó, cabaça, cerâmica. Tudo aponta para um fazer com tempo, insumo natural e rastros de autoria. No Paissandu, a coleção funcionou como encontro: roupa como linguagem, e o centro de São Paulo como palco para dizer de onde se vem e com quem se segue.
