9 momentos que merecem sua atenção na alta-costura


Foto: Reprodução/Instagram/@collective_parade

A temporada de alta-costura inverno 2027 reafirmou o papel de Paris como o principal laboratório de experimentação da moda. Reconhecida por reunir criações feitas sob medida, desenvolvidas artesanalmente em ateliês especializados e construídas com elevado domínio técnico, a alta-costura continua sendo um espaço onde pesquisa, inovação e savoir-faire caminham lado a lado. Nesta edição, alguns dos insights mais interessantes surgiram em propostas que ampliaram a conversa para além dos desfiles mais comentados: a incorporação do plasma às roupas, a transformação da peça em performance, o uso da infância como linguagem criativa, a estreia de novos talentos no calendário oficial e o encontro entre cor, arquitetura e herança histórica nas coleções. A seguir, seis destaques que ajudam a compreender os caminhos apontados pela temporada. 

A moda como transformação em movimento  

 

Na coleção Dual, Alexis Mabille fez da própria transformação da roupa o eixo do desfile. “Por que uma roupa deve permanecer parada? Como pode tornar-se mais vivo? E se cada criação carregasse dentro de si a possibilidade da sua própria metamorfose? Essa coleção nasceu desse reflexo” compartilha o estilista em suas redes sociais.  As modelos surgiam envoltas por silhuetas inteiramente pretas que, ao longo da passarela, se abriam para revelar um segundo look, rico em rendas, bordados e pedrarias. A proposta explorou a dualidade entre o interior e o exterior da peça utilizando um recurso cênico que incorporou a troca de roupa à narrativa da coleção. Em um dos momentos mais marcantes do desfile, um vestido literalmente desabrochou diante do público, reforçando a ideia de movimento e revelação como elementos da construção da alta-costura. 

Foto: Divulgação

Plasma entra para a alta-costura

 

Na coleção de Iris van Herpen, ciência e moda se encontraram de forma inédita. A estilista apresentou um vestido que incorpora plasma — considerado o quarto estado da matéria, ao lado dos sólidos, líquidos e gases — por meio de tubos de vidro integrados à peça. O efeito luminoso reage aos campos eletromagnéticos do corpo humano, criando uma interação entre roupa e movimento. Batizado de Helix Nebula, o look ainda recebeu cerca de 30 mil esferas iridescentes sopradas à mão, reforçando a pesquisa da designer sobre materiais, tecnologia e inovação aplicada à alta-costura. 

Foto: Reprodução/Instagram/@collective_parade

O imaginário infantil sob o olhar da alta costura 

 

Robert Wun encontrou na infância o ponto de partida para sua coleção, mas evitou qualquer leitura nostálgica. O estilista reinterpretou memórias e referências do imaginário infantil sob uma perspectiva adulta, traduzindo esse universo por meio de bordados que remetiam a pinceladas, blocos de cores vibrantes e silhuetas esculturais características de seu trabalho. O desfile acompanhou uma espécie de jornada de crescimento, em que a fantasia serviu como linguagem para refletir sobre criatividade, imaginação e a capacidade da moda de construir novas narrativas. 

Foto: WWD

Uma nova geração conquista espaço na alta-costura

 

Enquanto as estreias de grandes diretores criativos concentraram parte da atenção da temporada, um dos momentos mais comentados da semana veio de uma marca independente. Michael Stewart, fundador da Standing Ground, estreou no calendário de alta-costura com uma coleção que reforçou a força de uma nova geração de designers. A precisão dos cortes, o trabalho arquitetônico com o jersey, os bordados estruturais e a colaboração com artesãos especializados evidenciaram uma produção que equilibra inovação técnica e savoir-faire, indicando que a alta-costura também se renova por meio de novos talentos. 

 

Um baile surrealista

Na Elie Saab, a passarela deu lugar a um baile de inspiração surrealista. Tecidos evocavam flores, céus e cisnes, criando uma narrativa em constante transformação. A coleção apostou em superfícies que refletiam diferentes tonalidades conforme o movimento, acompanhadas por corpetes, brilhos, rendas e transparências que exaltaram o savoir-faire da maison.

O romantismo ganha contornos góticos

 

Na coleção de Ashi Studio, referências à literatura, ao surrealismo e ao imaginário fantástico deram origem a uma narrativa marcada por volumes dramáticos e uma atmosfera sombria. A proposta substituiu a delicadeza tradicional dos contos de fadas por uma estética de inspiração gótica, evidenciando um movimento observado nesta temporada: a alta-costura tem recorrido à fantasia não como escapismo, mas como ferramenta para construir narrativas visuais mais densas e cinematográficas.

Foto: Reprodução/Instagram/@viktorandrolf

Entre a contenção e o excesso

Em Gilded Age 2.0, Viktor&Rolf investigou o contraste entre exuberância e simplicidade. A coleção apresentou looks espelhados, construídos com a mesma precisão técnica, mas executados em materiais distintos — dos tecidos rústicos aos bordados e lantejoulas. A proposta convidou o público a refletir sobre os códigos do luxo contemporâneo e sobre o papel do savoir-faire na percepção de valor da alta-costura. O tema é a Nova Era Dourada (“Gilded Age 2.0”), um momento marcado por espetáculo, riqueza e visibilidade. A coleção contrapõe essa aparência exuberante à contenção, sugerindo que a essência da alta-costura está na técnica e não apenas na ostentação. Esse enquadramento fica mais fiel ao conceito apresentado pela marca e acrescenta uma camada de leitura contemporânea.

Foto: Getty Images

A tradição indiana chega a Paris

Em sua estreia na Semana de Alta-Costura de Paris, Manish Malhotra apresentou Maa, uma coleção dedicada à memória, ao afeto e à conexão entre gerações. O designer levou para a passarela parisiense uma interpretação contemporânea do savoir-faire indiano, combinando bordados minuciosos, cores intensas, texturas elaboradas e joias de alta complexidade. Ao celebrar técnicas ancestrais e a riqueza artesanal de seu país, Malhotra ampliou os diálogos culturais dentro da alta-costura internacional.

Foto: Getty Images

A eternidade dos símbolos indianos

Em sua nova coleção, Rahul Mishra revisitou elementos presentes na arte e na arquitetura dos templos indianos, transformando antigos motivos — como guirlandas, joias esculpidas e formas florais — em uma nova linguagem de alta-costura. A coleção preserva essa herança cultural por meio de bordados manuais, pesquisa têxtil e construção contemporânea.






Source link

Jay Boggo leva Bolsa Cacau e tabi-mule à La Samaritaine em Paris
De Hollywood a Milão: As musas que definiram a estética Armani
Meu carrinho
Lista de Desejos
Visualizado recentemente
Categorias
Espere, antes de sair…
Ganhe 20% na sua primeita compra
LAPP20OFFCopy to clipboard
Use esse coupon e ganhe 20% de desconto na sua primeira compra