Prada primavera verão 2027 – Foto: Getty Images
Miuccia Prada e Raf Simons abriram a Milan Fashion Week na terça-feira (22) com uma decisão incomum: em vez de uma coleção sobre um tema, uma coleção sobre uma peça. As notas do desfile falavam da saia como objeto, descreviam a peça como uma obsessão da casa e anunciavam o que os 63 looks confirmariam em seguida. Não houve calça.
Foi a primeira vez que a Prada abriu a semana de moda milanesa, e a marca usou o lugar de destaque para fazer uma defesa bastante literal. Bordado, aplicação, barra crua, prega, estampa floral, transparência, paetê: cada recurso disponível foi aplicado sobre o mesmo molde. As versões desconstruídas conviveram com as plissadas, e a proporção mudava a cada saída.
O comprimento predominante foi o joelho, com passagens por midi e mini. Vale dizer isso com clareza, porque a leitura que circulou nas redes foi outra: a micro saia domina o street style de Milão, mas não foi o que a Prada mandou para a passarela.
Prada primavera verão 2027 – Foto: Getty Images
O top que veio junto
A saia não apareceu sozinha, e é aí que a temporada fica interessante. Boa parte das modelos desfilou com bralettes simples combinadas às saias, e a peça reapareceu no dia seguinte.
Na quarta (23), Maria Grazia Chiuri apresentou sua segunda coleção para a Fendi em clima de lingerie e discoteca, com slipdresses, vestidos de dança, estampa animal e macaquinhos de renda, ao som de Raffaella Carrà, que estava no moodboard da temporada. Entre as reincidências, ela desmontou a camisa social branca da sua primeira coleção e reduziu a peça a um top tipo harness. A WWD já classificou o sutiã usado como top como a primeira tendência incontornável desta Milão, justamente por ter aparecido nas duas casas em dois dias seguidos.
Prada primavera verão 2027 – Foto: Getty Images
Por que essa dupla vai colar
Tendência de passarela costuma demorar a descer, mas essa tem dois atributos que aceleram o processo. O primeiro é que ambas as peças já existem no guarda-roupa da maioria das pessoas, o que dispensa compra para reproduzir o look. O segundo é que a combinação resolve o problema do verão: cobre a perna e libera o tronco, em vez do contrário.
A Jil Sander, que desfilou também na quarta, reforçou o comprimento pelo caminho oposto, combinando camisas e alfaiataria com saias midi. A referência ali é outra, mas a altura é a mesma.
O que ainda pode mudar
Milão vai até domingo, e o calendário reserva Gucci, com a segunda coleção de Demna, e a estreia de Loris Messina e Simone Rizzo na Moschino, ambas na quinta (24), além de Bottega Veneta, Versace, Marni, Ferragamo e Dolce & Gabbana. A saia já está consolidada. O que essas casas ainda podem redefinir é o comprimento.
